domingo, 10 de abril de 2011

De volta a uma Escócia surpreendentemente quente, com as paisagens que sempre imaginei. Campos verdes, sol, céu limpo. Pela primeira vez, vivo momentos na Escócia sem ter frio. E a cidade parece outra.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Todos os dias, ao meio-dia, as muitas pombas na praça central de Zagreb, Trg bana Jelačić, levantam voo. Para marcar a metade do dia, há mais de um século que é disparado um tiro de canhão com pólvora seca da Lotršcak Tower. Hoje ao meio-dia, lembrei-me dos meus dois meios-dias vividos em Zagreb, em dia de sol aberto, vento croata, cansaço de viagem. As pombas levantaram-se com o susto, como todos os dias o fazem, deram meia volta no ar e voltaram a pousar. 

sábado, 2 de abril de 2011

Feliz reencontro, 10 anos depois


"Tem coração aquele que conhece o medo, mas tem somente controle sobre o medo aquele que olha para o abismo mas com orgulho. Que olha para o abismo, mas com olhos de águia - que com garras de águia prende o abismo: isto constitui a coragem", Assim falou Zaratustra, Nietzsche


domingo, 27 de março de 2011

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O bom de viver fora de Portugal é que em qualquer altura, aconteça o que acontecer, é possível ter saudades de Portugal. Depois do primeiro voo directo Edimburgo-Lisboa de 2011, absorverei todos os instantes dos próximos dias. 

domingo, 20 de março de 2011

Sarajevo-Zagreb em silêncio

Acabados os meus dias em Sarajevo, dia 13 de março, dirigi-me logo de manhã para a estação de autocarros. Despedimo-nos todos no hotel, depois do último pequeno almoço de pão, manteiga, doce e café. Cheguei à estação com mais dois amigos, tencionando levantar dinheiro para o bilhete numa máquina da estação. Faltavam quinze minutos para o meu autocarro, que levaria seis horas a chegar a Zagreb, menos quatro que o comboio. Assim que cheguei percebi que a máquina não estava a funcionar e que o autocarro afinal levaria nove horas a chegar a Zagreb. Depois de ter resolvido o assunto, corri para o meu autocarro, parado na última linha da estação. Sem termos uma língua em comum, o condutor insistiu em explicar-me alguns detalhes sobre a viagem e sobre a mochila que eu ia deixar na bagageira do autocarro. Explicou-me tudo em bósnio, embora tenha dado a entender que não o perceberia. Pediu-me um euro, ou dois marcos, para manter a minha mochila na bagageira. Subi para o autocarro para perceber que o meu lugar estava ocupado por um saco de plástico com o farnel de um senhor sentado no banco do lado. Sabia que não nos íamos entender, optei por me sentar noutro banco, fazendo sons e gestos para dizer 'é o meu banco, mas não há problema , sento-me noutro'. Sentei-me atrás dele, fazendo o meu saco do farnel ocupar o banco ao meu lado. Esperavam-me nove horas sentada, sem sequer conseguir perceber por quanto tempo o autocarro parava para irmos à casa de banho. 
Viria a dar conta durante a viagem que havia dois condutores. Um deles, o que insistia em explicar-me tudo em bósnio, era um senhor arranjadinho. Uma camisola de riscas, aprumado, umas calças azuis de motorista de autocarro, que tiveram um vinco durante as primeiras horas de viagem e o foram perdendo. O outro motorista era mais novo, mais moderno, mais despachado. Trocaram  de lugar uma ou duas vezes durante a viagem, numa das inúmeras paragens que separaram Sarajevo de Zagreb.  Das vezes que parámos, fui sempre a mais rápida a ir à casa de banho, com receio de que  aquilo que eu ouvia dizer quando o autocarro parava - 'pausatakaminuta' - fosse pausa de dois minutos. O maior tempo que passámos parados foi no controlo de passaportes na fronteira. Graças a uma rapariga que falava inglês, consegui entender que tinha de sair do autocarro com o meu passaporte (que já tinha sido visto dentro do autocarro) e fazer parte de uma fila. De regresso ao autocarro, percebi que o senhor do banco da frente já tinha mudado. Tinha entrado um velhinho perfumado que ocupou o lugar do saco do outro senhor e que levou o seu livro aberto no resto da viagem. 
Cheguei a Zagreb oito horas depois de ter saído de Sarajevo, com um estranho aperto de saudades de uma cidade que uma semana antes não conhecia. Sem imaginar que um só dia na capital croata seria suficiente para deixar as melhores recordações.

Os chefs bósnios

Duas gerações de Chefs da BiH.
Enquanto que o chef da geração mais antiga ficou a tratar dos borregos inteiros a assar, o chef da geração mais nova foi-me mostrar as paisagens que eu deveria fotografar. Achou estranho quando eu quis entrar no recanto mais feio das traseiras do restaurante: um armazém pequeno com um enorme alguidar vermelho, cheio de água, onde ainda estava um borrego inteiro de molho. O outro aguardava no espeto de frente para a paisagem que o jovem chef me levou a ver. 







sexta-feira, 18 de março de 2011

As vidas de Sarajevo

A primeira vez que o vi nas ruas da cidade dei conta de como andava todo enrolado. Uns dias depois, percebi que ele dormia à porta de um prédio junto ao edifício dos correios. Vi-o novamente, desta vez, sentado ao sol, igualmente enrolado, à porta de uma papelaria. Preenchia um papel com números, escritos a lápis. E o lápis estava tão pouco afiado que os números eram enormes no papel que ele tinha na mão.

Diariamente, abre o mercado no centro da cidade. Várias mesas expostas num espaço aberto, embora tapado com placas de plástico, juntam todos os tipos de legumes, frutas, flores, mas também chinelos, cuecas do tamanho do mundo, maços de tabaco, tampas para panelas, panos da louça, toalhas de renda e molas para cabelo com tanto pó que a cor era diferente.

Era a única mesa na qual o sol batia. O senhor vendia apenas laranjas e couves. Passou o tempo a cortar limões, com umas mãos enormes e uma nódoa negra nas costas da mão esquerda. Pedi para tirar fotografia e num dos momentos, que perdi por segundos, ele acenou com o pano onde limpava as mãos.

Laranjas e clementinas foi o que mais comi durante a viagem. Comprei laranjas em todos os mercados onde fui. Óptimas.

O mercado diário de Sarajevo.

Os chinelos à venda numa bancada ligeiramente fora do espaço do mercado. Tive autorização para tirar a fotografia e a senhora, ainda que possa não parecer, sorriu quando agradeci.
Pedi para tirar foto aos ananases dentro de um vaso, à venda no mercado. O rapaz tirou-os do vaso e posicionou-os para a fotografia.

Aquele que se poderia imaginar ser o trabalho de uma florista - fazer pequenos raminhos - era o trabalho de um rapaz, a trabalhar para o chefe (o dos ananases).


Bamija é um prato bósnio que experimentármos num restaurante, no dia anterior a termos percebido em que é que consistia. É um prato com carne e okra, uma espécie de pequenos frutos, com uma têxtura áspera. Mal viamos o que estávamos a comer no início do jantar, mas a meio desistimos.

O prédio abandonado por onde passámos de camioneta várias vezes e que despertou a minha curiosidade em vários momentos...

... devido ao sofá abandonado num dos andares.

Os três sapatos numa mesa tentavam atrair clientes para a sapataria que estava recuada em relação à rua principal.

Os restos dos cartazes publicitários e das campanhas eleitorais.

Os heróis.

O dia-a-dia da cidade, com água a ferver e as vassouras utilizadas em todo o lado.

Os contrastes que se vêem na cidade.

A razão que me fez ir à BiH e a razão que me levou a apaixonar-me pela complexidade do país.

O guarda-chuva.

Em qualquer porta de um prédio em Sarajevo.

Como em qualquer outra cidade europeia.
As ruas de Sarajevo, sempre com as colinas como fundo.




A vida diária no bairro turco.

Uma das lojas onde se acumulam bocados de tudo, com as suas devidas histórias.

Não conseguimos comunicar, nem perceber o que ambos fazemos na vida.

A exposição de panelões como se fosse algo comprado diariamente por toda a gente. Pensei seriamente na paciência de alguém que todos os dias expõe os panelões à porta da loja e os retira ao fim do dia.

A entrada para um dos espaços com esplanada, rodeados por pequenas lojas.



O bairro turco.
Os contrastes. Homens na rua durante o dia todo.

Parte de uma geração que partilha muitos dos mesmos problemas.

A Praça dos Pombos, como passou a ser conhecida, logo pela manhã de sábado, com três horas de sono, neblina nas colinas, sol morno e o começo do dia.